O trânsito de São Paulo é complicado, mesmo da perspectiva daqueles para quem a cidade parece ter sido planejada: os motoristas. Que dirá, então, para quem se aventura a montar em um conjunto de tubos de aço sem qualquer proteção. Mas esse cenário vem mudando muito nos últimos anos e há, sim, cada vez mais aventureiros na cidade. Pois eis que, em 2017, depois de muito enrolar, eu também entrei nessa.

Até o ano passado, minhas experiências com bicicletas se resumiam a uma Caloi Ceci cor-de-rosa, que eu usava quando criança no quintal de casa e em uma pracinha próxima, e a pedaladas na praia durante as férias de verão, quando adolescente, com bicicletas pesadas e sem marcha. Com o tempo, as viagens ao litoral foram ficando cada vez mais raras. A vontade de ter uma bike em São Paulo sempre esteve presente, mas claro que não daria pra usar uma bicicleta morando na Zona Leste e trabalhando no Centro, né? Spoiler: dá, sim, mas eu mudei para o Centro antes de testar. Arrumei uma bicicleta (aquela de verão, pesada e sem marchas) e agora, uns dois meses depois, já é incômodo ter que usar outro meio de transporte para ir a qualquer lugar.

Bicicleta a postos, ciclofaixa na esquina de casa, o próximo passo era dar o primeiro rolê. Não fui longe, mas a voltinha serviu pra mostrar um probleminha: pedestres que trocam as calçadas pelas ciclofaixas. Sim, muitas ciclofaixas são mais lisinhas e macias que as calçadas, mas claro que não deviam ser usadas por quem não está em cima de uma bicicleta. Além disso, muitos pedestres também não costumam prestar atenção nas ciclofaixas antes de atravessar a rua. Lidar com isso requer um pouco de paciência e uma buzina.

Falando em buzina, junto com ela outros dois itens são essenciais antes do primeiro rolê: o capacete e as luzes. São muitos os modelos de capacetes disponíveis dentro de várias faixas de preço, e o ideal é comprá-lo pessoalmente, não pela internet, para escolher o que se adapta melhor à sua cabeça. Dei sorte de encontrar um único capacete do meu tamanho, a um preço bem acessível (e da minha cor favorita) na Centro Bike, uma loja e oficina na Santa Cecília. Lá mesmo comprei a luz dianteira, branca, e a traseira, vermelha, ambas com carregador USB, mas até agora não precisei carregá-las nenhuma vez.

Com o equipamento certo, finalmente usei a bicicleta como substituta do ônibus, não para uma voltinha, mas para ir até um lugar específico. Não fiz o trajeto sozinha logo de cara. Até me acostumar com esse trecho, que passa por algumas ruas sem ciclofaixa, tive ajuda do Pena, o “guia” que depois virou companheiro de pedaladas. E, para minha surpresa, os carros ainda não foram o maior dos meus problemas – tirando alguns que curtem estacionar onde não devem. A maior dificuldade ainda tem sido os pedestres, seguida pelas subidas, quem estão me dando pernas de jogador de futebol. Mas nada disso bate a maior vantagem de todas: o tempo. Ir de bicicleta é mais rápido e mais prazeroso do que andar de carro ou ônibus, e ultrapassar quem está preso no trânsito é a cereja do bolo.

No começo, pedalar na cidade pode até dar um medinho, mas o vento no rosto conquista fácil. Tomadas as devidas providências, escolha um destino e vá. E conta pra gente como foi!

Perdida na Sumaré

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